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Chablis: o branco mais mineral da Borgonha
Antes de ser um vinho branco francês, Chablis é um lugar: uma pequena região no norte da Borgonha que produz alguns dos brancos mais reconhecíveis do mundo.
Curiosamente, Chablis faz parte da Borgonha sem ser contígua à Côte d'Or, onde nasce a grande maioria dos vinhos da região. É uma espécie de ilha que orbita as famosas Côte de Nuits e Côte de Beaune.
Ali se produz vinhos especiais feitos com Chardonnay - que é, aliás, a quinta uva mais plantada para produção de vinhos no mundo.
Mas o Chablis, diferente dos outros vinhos feitos a partir dessa uva, raramente amadurece em barris de carvalho. Por causa disso, não tem os sabores amanteigados normalmente associados aos Chardonnay, além de ser menos frutado. Ou seja: apesar da uva comum, o clima, o solo e os métodos de plantio e maturação fazem dos vinhos de Chablis algo único.
Pureza
Brancos bem secos, de fruta discreta e perfil direto, sem maquiagem de madeira
Acidez
Nervo e frescor que vêm do clima semi-continental, com invernos rigorosos
Mineralidade
Aquela nota de "pierre à fusil" - pedra de isqueiro - sobre um fundo salino
Aromas de flores brancas se misturam aos das frutas cítricas, sobre uma base mineral. Segundo os especialistas franceses, a nota mais característica remete à pierre à fusil: aquele cheirinho de pedra de isqueiro, que sai ainda mais forte quando o isqueiro falha, junto com a fumacinha esbranquiçada.
O terroir de Chablis
As características singulares do Chablis são reflexo das características da região. De tal forma que os Chablis são um dos vinhos que mais ajudam a entender o conceito de terroir - e também como as escolhas do vinicultor impactam no resultado final.
A pequena região tem clima semi-continental, com invernos rigorosos e verões por vezes quentes. É esse clima que explica a acidez equilibrada do vinho.
Acima de tudo, porém, o segredo mais importante é o solo Kimmeridgiano, formado há cerca de 150 milhões de anos, época em que Chablis era recoberta pelo mar. Daí os solos ricos em calcário e fósseis marinhos - que não chegaram lá voando. Pensando nessa formação, fica fácil entender de onde vêm a mineralidade e a salinidade dos vinhos.
Dica Porto
Se você quer entender na prática o que significa "mineralidade" em vinho, Chablis é provavelmente o exemplo mais didático que existe. É difícil provar um bom Chablis e não guardar essa memória.
As quatro denominações
A região é dividida em quatro AOCs (Appellation d'Origine Contrôlée). Grosso modo, à medida que nos movimentamos para o topo da pirâmide, os vinhos tendem a ficar menos leves, menos ácidos, mais complexos e mais oleosos - isso porque os vinhedos de Premier Cru e, especialmente, Grand Cru tendem a ter melhor exposição ao sol.
| Denominação |
Perfil |
Quando abrir |
| Petit Chablis |
Leve, cítrico, direto e muito refrescante |
Aperitivo, dias quentes, taça no fim da tarde |
| Chablis |
O equilíbrio clássico: acidez, fruta branca e mineral |
A porta de entrada e o coringa da região |
| Chablis Premier Cru |
Mais corpo, profundidade e complexidade |
Pratos elaborados, peixes com molho, mesa posta |
| Chablis Grand Cru |
O ápice: denso, longo e com grande guarda |
Ocasiões especiais - e paciência na adega |
Harmonização
A harmonização clássica do Chablis é com ostras, mas as possibilidades são bem mais amplas. Outras preparações com mariscos e moluscos sempre funcionam. Aliás, é um vinho perfeito para aperitivos e funciona muito bem no verão, com saladas, quiches ou uma coleção de canapés.
Eu, particularmente, adoro as versões mais ácidas de Chablis com uma bela salada de chèvre chaud - folhas com uma boa porção de queijo de cabra gratinado.
A mineralidade e a acidez fazem com que ele harmonize muito bem com peixes crus e sushi. Nos pratos internacionais, os Chablis mais encorpados vão bem com a culinária indiana e diversas preparações de curry.
Chablis e queijos
EmmentalComtéBeaufortGoudaGruyère
A profundidade do Chablis realça os sabores de queijos como Emmental, Comté e Beaufort. Em contrapartida, os Petit Chablis vão muito bem com Gouda ou Gruyère.
Já os Premier e Grand Crus, mais complexos, são a pedida ideal para foie gras, lagostas ou molhos com cogumelos.
Por fim, na hora de temperar, prefira ervas frescas e pimenta-do-reino branca. No geral, é melhor evitar pratos muito apimentados.
Nossos Chablis
Nosso novo Chablis! Um clássico produzido por Olivier Boussard, quinta geração de produtores na vinícola. São apenas 23 hectares, que rendem menos de 3 mil garrafas por ano - pequeno e familiar, como a Porto di Vino gosta. O resultado é um vinho delicioso, aromático no ponto certo e com bela mineralidade na boca.
Fourchaume está entre os vinhedos Premier Cru de maior destaque na região. Temos aqui um exemplar que justifica a fama: típico, rico, equilibrado e delicioso.
Uma opção mais em conta, mas ainda assim excelente. Mais que um Bourgogne Blanc comum, temos aqui um vinho produzido a partir de uma única parcela, próxima à comuna de La Chaume, na Côte d'Or. Amadurece sobre suas borras, o que agrega frescor e complexidade a esse belo vinho, feito com muito cuidado pela família Boussard.
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